JANELA DE VIDRO

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Qualquer mínima prosa requer concentração. As raras frases que saem dos lábios murchos nas bocas bangelas, revelam criadores de um mundo tão surreal quanto o lugar onde vivem. Um mundo onde podem ser e fazer o que bem entenderem, despistando assim a dor de não ser e nem existir no outro mundo, o real. As panelas são latas velhas e os talheres, as próprias mãos.

Quando falam, falam muito, parecem querer contar a vida num fôlego só, mas a voz se perde entre ruídos de carros e caminhões. Marcada pelo sofrimento e pela vulnerabilidade física constante, a vida dos moradores de rua se faz na luta diária em busca da sobrevivência e da resistência à exclusão. Mas a condição de habitantes das ruas oferece a possibilidade de um olhar único sobre o cotidiano.

Na calçada, da esquina da avenida Antônio Carlos com o conjunto habitacional IAPI, em meio as obras de alargamento da av. Antônio Carlos.